A Moção de Censura do PSD foi ou não oportuna?
A fase corrente da história nacional, são mais de 1800 dias de
governação socialista, como triste executor do nosso destino. O actual Governo do País
confessa-se cada vez mais como um "governo de inércia", em que nem estratégias
publicitárias de remodelações e de recuos (como os "super-ministers" ou o
ministério da igualdade) consentem disfarçar a ineficácia do Governo em reformar e
modernizar. Uma consciente resposta nacional foi dada pela democracia-cristã portuguesa
que, através de uma moção de censura, e em tempo útil, traçou o diagnóstico dos
problemas com os quais Portugal se defronta, indicou o rumo para os combater e definiu as
medidas concretas para os solucionar.
A moção de censura ao Governo do PSD, 60 dias após o relevante exemplo do CDS/PP, é
apresentada numa situação, que infelizmente é a mesma que existia antes. Assim, a
condução do regresso da nação aos valores do centro-direita, agravado com o risco
efectivo de "frentismo da esquerda", tem de contar com todas as forças
políticas do centro-direita, a esforçarem-se "à CDS", numa cadência
eficaz para uma verdadeira alternativa de governo e fazer de Portugal um vencedor.
"Droga: que pensar da eventual descriminalização?".
A problemática da droga é complexa e
a criminalidade
a ela associada, são cada vez mais um factor de perturbação social, que não
pode ser escondido.
A solidariedade é um valor essencial. A dignidade de cada cidadão toxicodependente, em
razão desta doença e desta condição de dependência (psicológica e física) exige uma
estratégia global, que em Portugal está quase toda por ser feita. Uma estratégia que
optimize, entre outras, as medidas de prevenção, a intervenção em grupos de
risco, a reinserção social e laboral e a melhoria da capacidade assistencial,
do apoio social ao médico.
O repensar de uma estratégia diferente na luta contra a droga, no
sentido da liberalização é controverso e não pode significar uma "fuga para a
frente" de uma sociedade insuficiente. As teorias "anti-proibicionistas"
vão desde a liberalização do consumo de drogas do tipo "cannabis", até à
totalidade do circuito comercial do tráfico. Dado um primeiro passo, a fronteira entre
drogas legais e ilegais pode desaparecer e não serão então proibidas as drogas de
efeitos irreversíveis (as novas drogas como o "ectasy" e "smart
drinks", de início encaradas com ligeireza, podem afinal matar). O consumo
de droga será, neste exercício do futuro, uma forma extrema de um cidadão exercer a sua
liberdade individual (que se acrescentará aos direitos do cidadão). Por sua vez,
a economia criminosa associada aos traficantes, tornar-se-á parte integrante da economia
livre de mercado.
A problemática da droga merece debate amplo. O
referendo, como um dos procedimentos democráticos por excelência, deve abranger qualquer
legislação relativa a questões superiores de consciência.
Como é por certo a questão, qual o tipo de condição humana para a nossa sociedade, um
futuro em regime de droga livre ou livre de droga?
"Que pensa da desistência de Basílio Horta das presidenciais"?
Em 1979, a Aliança Democrática mobilizou Portugal na vitória sobre a
submissão militar e o colectivismo económico. Então, Sá Carneiro, Freitas do Amaral,
Amaro da Costa e Ribeiro Teles, numa mensagem aos portugueses, advertia: "...Chegou a
altura de erguer e levar por diante um projecto sério e digno de vida
colectiva...Portugal não deve continuar por mais tempo sem um autêntico governo...Mas os
políticos não podem fazer tudo sozinhos. Podem unir-se e entender-se, iniciar caminho,
propor soluções".
Em Outubro de 2000, o Portugal dos 2000000 de pobres é, de novo, uma nação adiada. A
esquerda socialista não sabe governar, dialoga para não decidir ou quando decide, decide
mal. As "reformas" de esquerda em "S.A.R.L.", resumem-se a duas
derrotas em referendos (Regiões e Aborto) ou então fontes inspiradoras para crises
graves, como no Sistema Fiscal, em área sociais (Segurança Social e Droga) ou na
Justiça.
A evidência da história política dos últimos 25 anos, faz com que a democracia-cristã
portuguesa, reitere ser do interesse nacional que as forças do centro e direita trabalhem
em comum, numa prática de convergência.
De facto, é do interesse nacional uma nova agenda política, com o contributo específico
do CDS/PP como âncora doutrinária, integrando um projecto vencedor de alternância e
alternativo (no campo político, social e económico). É do interesse nacional uma outra
maioria de Governo em Portugal, não socialista e sem as políticas de esquerda.
Por isso, os dirigentes do CDS/PP obedecem ao conceito patriótico de política como
serviço aos outros, sejam quais forem as dificuldades e as consequências.
"Deve ou não haver eleições legislativas antecipadas?"
As eleições de 1999, por vontade dos portugueses, resultaram num
impasse entre a oposição e o partido do Governo, a nível do Parlamento (o nº total de
deputados é par). Mais do que em qualquer outra circunstância, a legitimidade política
deste Governo depende da qualidade de exercício do seu mandato.
Um exame sumário desse exercício poderá fazer entender se este quadro político deverá
ser levado até ao fim, em nome da estabilidade, ou se o seu prolongamento é uma
resignação.
Desde logo, ocorreram mais tentativas de "revoluções" (chumbadas pelos
referendos) e menos de "reformas" estruturais. E mesmo destas, a reforma Fiscal
da esquerda não retribui o esforço da classe média, não simplifica os impostos e não
ajuda à competitividade. A reforma da Segurança Social é pouco moderna e não adaptada
ao futuro. Por sua vez, as páginas do "Diário da República" encheram-se com
nomeações de "boys" e poucas Leis novas. Por isso, a Política de
Administração Interna não garante a segurança; a da Justiça tem conhecido
"prescrições" e quebra da confiança. A Política Educativa parece regressar
ao "caos".
Economicamente, Portugal atingiu uma situação crítica. As famílias têm um grande
endividamento. Os sectores produtivos - Indústria, a Agricultura e as Pescas
atravessam as maiores dificuldades. A Despesa Pública apropria-se de 51 em cada 100
contos de riqueza criada. O país atrasa-se cada vez mais em relação à Europa.
O bom senso português saberá decidir se deve levar este impasse até ao fim. Convém
lembrar que, mesmo sem moções de censura ou anuidades de novelas orçamentais, o
próprio governo, de cultura "mediática", pode sempre antecipar uma
"moção de confiança", se achar "eleitoralmente" propício (a seguir
às autárquicas?).
Seja como for, em representação da Maioria Silenciosa, existe uma Solução de
Alternativa política, económica e social ao estado socialista. A Bem da Nação.
Que dizer do facto de Aveiro ser o único distrito que perde
no PIDDAC 2001?
Sendo hoje Portugal uma sucessão de desequilíbrios, entre o interior
e o litoral, o campo e a cidade, deve-se proporcionar a solidariedade entre regiões ricas
e pobres, sem egoísmos. Mas em nome desse mesmo equilíbrio, quem se esforça a
trabalhar, como é o caso de Aveiro, aspira a subir legitimamente na vida e em nenhuma
condição pode aceitar qualquer subalternidade ou descriminação (em sentido
contrário).
Deus e o homem juntaram a Ria, o Mar e a Montanha para definir um Aveiro/Distrito que
representa hoje em Portugal, o maior potencial de desenvolvimento e a "terceira
via", para além das fórmulas em uso, do tipo "Lisboa e Porto".
Não faltam onde aplicar as verbas do investimento do Estado Central em Aveiro
(sistematicamente espoliado destas). Como por exemplo, cimentar as Acessibilidades (Eixos
Estruturantes e Intermunicipais, A14/ex-IP5, IC1, Metro de superfície, Centro Inter-Nodal
de Transportes com Nova Estação da CP, Ligação Ferroviária ao Porto de Aveiro,
Aeroporto Regional de S. Jacinto, futura linha do TGV com solução pelo Norte/Aveiro);
Grandes Equipamentos que reforcem o Distrito de Aveiro como Região de Congressos,
Desportiva Olímpica, de Parques Temáticos, Centro de Serviços, Comércio, Empresas e
Negócios, Centro Turístico e também Capital da Saúde, com um Hospital Central e
Escolar; continuar a desenvolver a Universidade de Aveiro como referência da Europa.
A referência social, económica e científica de Aveiro é exemplo ao país da
optimização dos recursos. Contra o gasto ineficiente dos dinheiros públicos, o
reinvestimento no Distrito de Aveiro gerará, por si só, a criação de maior riqueza
para distribuir e subsidiar o desenvolvimento sustentado de todo o país. Cumprir e fazer
cumprir Aveiro e o seu Distrito, é um desígnio nacional.
Os autarcas devem ou não poder ser deputados à AR?
Um dos "relativismos morais" dos nossos tempos é a
"desilusão pela política" (vejam-se as crescentes taxas de abstenção nos
actos eleitorais), onde a Democracia é vista como um "mal menor". Existe, de
facto, uma crise de representação das democracias e fala-se na necessidade da Reforma do
Sistema Político (reforma do Parlamento e alteração da Lei Eleitoral, entre outras). No
sentido de individualizar mais a responsabilidade política, reforçar a fiscalização
dos eleitores sobre os eleitos e por um regime mais participado e mais autêntico.
Os centros da vida democrática são o Parlamento e, na boa tradição portuguesa, também
as Autarquias. Não existe um Parlamento forte com deputados "fracos", por isso
os deputados devem ser em menor número e os melhores de Portugal (e mais bem pagos, ao
nível do gestor público). O mesmo é válido para as nossas Autarquias.
Exaltando os seus actuais defeitos, o "Sistema" considerou prioritário, e por
agora, somente a revisão do Estatuto dos Deputados.
Sendo assim, a partir da próxima legislatura os "deputados-autarcas" ficam com
180 dias após serem eleitos, para optarem em definitivo, pela Câmara Municipal ou pelo
Parlamento.
Tal norma constitui uma maturação esperada e aprendida no evoluir da Democracia em
Portugal. A acção política ganha, com este pequeno feito, em conteúdo ético,
fundamentado no respeito pela palavra dada. A vontade do eleitor, que baseou a sua
confiança numa proposta de mandato político (parlamentar ou autárquico), não deve sair
frustrada.
"O Primeiro Ministro actuou bem no caso da Fundação para a Prevenção e
Segurança?"
Existem duas grandes instituições em Portugal. A primeira é a
"burocracia nacional". Outra parece agora ser, a fórmula que o Governo
encontrou para a resolver e para servir de escola ao cidadão. Cria-se uma fundação
pública, de que é exemplo a "Fundação para a Prevenção e Segurança",
financiada pelo próprio Ministério da Administração Interna, fugindo-se de uma só
vez, à "burocracia nacional", aos vistos do Tribunal de Contas e aos concursos
públicos. Às desejáveis reformas na direcção do "Estado útil", sobrevêm
um modelo e uma administração pública do "tipo socialista", sem controlo dos
dinheiros, sem critérios de racionalidade, multiplicado por "acessorias,
departamentos, institutos, fundações, etc. etc.", que têm crescido à medida da
"rapaziada", e em que todos fazem a mesma coisa e ninguém faz coisa alguma.
Em termos éticos, perante esta crise, só havia uma saída digna. Os melhores regimes
democráticos usam de uma legítima intolerância com os erros cometidos em prejuízo do
Estado. É grave deixar sem consequências, decisões erradas. O Estado justo é aquele
que, aos seus próprios titulares, estabelece uma lógica de "prémio e
castigo".
Mas um chefe de governo tem de ter a iniciativa de demitir, e não apenas de aceitar, pela
pressão dos acontecimentos, as demissões. Deve-se pois, de novo questionar, se este
quadro político de permanente "motim" no Governo e no partido
"sponsor", a tibieza na liderança e falta de autoridade, deverá ser levado
até ao fim da legislatura, ou ser submetido a uma moção de confiança no Parlamento.
Votos democrata-cristãos de um Santo Natal e de um bem melhor ano de 2001 para Portugal.
Se fosse Primeiro Ministro demitia o general Martins Barrento?
A Defesa Nacional implica a salvaguarda da soberania e independência
nacionais, a garantia da segurança, mas também a contribuição para a paz mundial.
Apesar da prioridade pela nossa vocação atlântica, africana e timorense, o poder
político considerou do interesse de Portugal empenharmo-nos na manutenção da paz nos
Balcãs.
Nesta operação, os riscos eram o terrorismo e a instabilidade geral no território. Não
foi considerado perigoso o risco de contaminação directa ou indirecta (através da
cadeia alimentar) pelo urânio empobrecido (ou outros tóxicos) das munições usadas nos
bombardeamentos e que poderá (ou não) aumentar o risco de doenças neoplásicas, como a
leucemia. É que a teoria em vigor na NATO, assinada pelos autores americanos, não
esclarece ainda a causalidade de um "Sindroma dos Balcãs", tal como permanece
ainda em hipótese o "Sindroma do Golfo"!....
Perante os novos e preocupantes dados, exige-se prudência e postura de Estado, num
partilhar de competências entre políticos, militares, países envolvidos e especialistas
de saúde. Está em causa apurar-se os riscos reais para a vida dos nossos valentes
soldados, dos outros soldados e também da população kosovar que fica lá para sempre,
enfim em liberdade, mas espera-se também com saúde.
E como a guerra é um "assunto demasiado sério para ser deixado apenas nas mãos de
certos políticos", por certo se poderá amnistiar "inventonas" menos
felizes, enquadradas na psicologia de caserna. Tropas essas, subordinadas a mais uma
missão decidida pelos "certos políticos", mas desempenhada pelos
"militares certos". Até porque, quem teve o orgulho de cumprir o Serviço
Militar Obrigatório sabe que um General do Exército de Portugal não é um simples
"cabo de guerra".
Um grande "bem haja" aos militares portugueses, que em África, Timor ou
Jugoslávia, têm servido com grande honra a Pátria.
Quem é que ficou prejudicado com a abstenção nas Presidenciais?
As eleições presidenciais conduziram à maior taxa de abstenção de
sempre, em actos eleitorais. Quase metade dos cidadãos (49,1%), que incluía pela
primeira vez os emigrantes, não exerceu o direito de nacionalidade e de cidadania.
A abstenção percorreu equitativamente todos os partidos, da esquerda à direita e foi
geograficamente uniforme. Qual então o seu significado?
Estará Portugal a acompanhar a tendência de países evoluídos, onde a democracia tem um
longo passado de estabilidade e taxas de abstenção crescentes? As novas tecnologias de
informação, as sociedades "em rede" e a livre circulação de bens, ideias e
pessoas, têm feito evoluir o "desinteresse pela política" e rompido com as
fronteiras das democracias, enfraquecendo-as, vivendo-se numa fase
"laboratorial" da democracia do Sec XXI. Mas Portugal ainda não chegou a
"estas modernices", infelizmente quase metade da população mantém-se
"iletrada funcional" e tem como ordenado mínimo menos de metade da Espanha.
Esta abstenção poderá constituir, autenticamente, um apelo, uma lição e um sintoma.
Um apelo para se aproximar mais os eleitores dos eleitos (cada
vez mais afastados), através de um novo ordenamento constitucional.
Uma lição, a de que, em cada acto eleitoral deve
proporcionar-se aos cidadãos opções verdadeiras, entre alternativas de políticas e de
valores (contra o atenuar ideológico entre partidos, ou o comparecer sem carisma de
vencer).
Um sintoma específico acerca do "desinteresse" pelo
cargo e pela eleição directa de um "Presidente da República". Deverá no
futuro, o representante de todos os portugueses e garante da independência nacional e da
unidade do estado, ser designado por outro método ou, como nos países europeus
monárquicos (que são a maioria), após legitimação democrática, ser uma escolha
afectiva, cultural e histórica, assente nas raízes nacionais?
Uma aliança entre o PSD e PP pode constituir alternativa nas próximas Eleições
Autárquicas?
Aveiro é uma referência nacional em cultura democrática. Vive-se uma
realidade político - partidária exemplar. Os cidadãos reconhecem-se num dos 3 espaços
democráticos propostos, sentindo-se habilitados à discussão autêntica de alternativas,
ao nível do património doutrinário, das grandes políticas ou dos modelos económicos.
Aqui o tudo nunca foi igual a tudo. Por isso aqui, a democracia-cristã tem força,
ambição e relevância autárquica ao nível igual a qualquer outro espaço político.
Este património específico aveirense, que é compartilhado pela maioria dos cidadãos,
tem aliás alicerçado variáveis e indicadores socio-económicos dos melhores da Europa.
Normalmente, a maioria sociológica do centro-direita, que constitui o Distrito de Aveiro,
sempre sentiu como sua adversária natural no plano dos valores, a esquerda. E agora mais
ainda, pelo que de Portugal tem "sofrido" com o exercício socialista de quase
todo o poder.
Este ano autárquico, pode significar o desencadear de um ciclo de alternativa política,
económica e social ao socialismo, demasiadas vezes adiado. Para esse projecto político
de mudança, as forças políticas do centro-direita devem convergir, sem perca de tempo,
numa "cultura autárquica não socialista". Fazer-se face ao futuro com uma
correcta repartição de responsabilidades e o contributo substancial dos valores e dos
programas de governação municipal democrata-cristãos.
A possibilidade da apresentação de entendimentos, onde for possível e desejável,
significará, por vontade local soberana, um projecto de vitória alternativo ao poder
socialista instalado, a bem-fazer pelo destino do Concelho.
Aveiro e o seu Distrito, onde a maioria das autarquias é não socialista, tem em 2001 o
dever nacional de influenciar decisivamente o regresso de Portugal ao centro-direita.
O objectivo do Rendimento Garantido está a ser cumprido?
A maior vergonha de Portugal nos nossos dias é, sem dúvida, a sua
realidade "terceiro-mundista", numa escalada de disparidades entre pobreza e
ostentação, entre campo e cidade, entre egoísmo individualista e dificuldade das
famílias.
O combate à pobreza e o ambicionado alargamento da classe média não é uma causa
tradicional da esquerda, antes uma especial vocação da democracia-cristã e desde sempre
património doutrinário do CDS/Partido Popular. Um Estado de Solidariedade é o que
afecta com rigor os recursos de todos para ajudar os cidadãos que precisam, e apenas
estes. Por sua vez, a Solidariedade não se esgota na acção do Estado, mas compete à
Sociedade em geral. Ao propor-se cada vez mais Economia de Mercado e cada vez menos
Estado, ocorrerá aumento da riqueza nacional, a sua distribuição por todos e cada um
dos portugueses e o desenvolvimento dos bens sociais.
Pelo contrário, uma política social subsídio-dependente, com bandeiras isoladas tipo
Rendimento Mínimo Garantido (RMG) tem poucas virtudes, tentando camuflar misérias e
responsabilidades. Tanto assim é, que o desempenho dos RMG especialmente em Portugal, mas
também noutros países, tem confirmado os seus defeitos, não respondendo às reais
necessidades de combate à pobreza e exclusão social. Tem-se verificado no RMG a entrega
de subsídios indevidos, um défice de penalização por eventuais fraudes, uma
necessidade de mecanismos de controlo mais eficazes e um diferencial significativo entre
os reais beneficiários e os potenciais usufrutuários. Mas pior ainda, tem faltado o
acompanhamento essencial dos beneficiários, no campo da inserção social e profissional.
Como a dignidade humana é inalienável, as pessoas não devem ser objecto de políticas
cegas nos subsídios, sem ajudar essas mesmas pessoas a tornarem-se naquilo que são
capazes de ser.
Jovens devem poder votar aos 16 anos?
A Educação constitui uma prioridade nacional, sendo um factor
decisivo do desenvolvimento social e económico do país. Como qualquer
"paixão" socialista é um "bom" exemplo da sua incapacidade de
reforma em substância e de "fuga para a frente" com atitudes administrativas.
Os jovens não vivem a política e as grandes causas nacionais? Decrete-se o voto
aos 16 anos.
A questão que se coloca é saber se deve ser exigido aos jovens a sua maturidade mais
cedo, exercendo responsabilidades idênticas aos adultos, através do direito de voto para
os 16, depois provavelmente para os 14 e quais as consequências psicológicas, culturais
e morais deste facto.
Uma coisa é certa, mais do que inverter o direito de ser tratado como um adulto, luta-se
hoje em dia pelo direito à infância e juventude, com protecção a nível por exemplo do
trabalho infantil ou condenação do uso de crianças como soldados, em exércitos do
terceiro mundo. Por outro lado, o amadurecimento da pessoa humana é por fases e se a
infância é vivida com atropelada evolução para adulto, dá origem a traumas que
poderão condicionar o comportamento futuro.
Importará pois, garantir antes, que os jovens portugueses tenham acesso a um sistema
educativo de excelência, em que a História de Portugal e a Língua Portuguesa assumam
importância central. O que interessa é que, quando chegar a altura de votar, sem ser
determinante a idade, os adolescentes se sintam preparados para o exercício de uma
cidadania activa e responsável. Para depois, se habilitarem ao exemplo relevante sugerido
pelos Jovens Empresários (ANJE), presidida por um aveirense, que afirmou recentemente e
bem, a necessidade dos jovens se meterem na política « é preciso abanar as coisas e
infiltrar sangue novo, potenciando...uma nova geração de gente que não esteja
dependente da política para viver». Por uma Nação vencedora, com a capacidade
inovadora dos rapazes e raparigas de Portugal, em idade de votar, ou ainda não.
Modelo POLIS serve a Aveiro?
Portugal é um caos também em urbanismo e desordenado no território.
Por isso um Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades
conhecido por "Polis", é inevitavelmente uma proeza.
Em termos organizativos, conseguindo juntar "Obras Públicas" e
"Ambiente", exemplifica articulação rara em termos de funcionamento do Estado.
Os objectivos do Polis são requalificar e revitalizar os centros das cidades e frentes de
água, melhorando os indicadores ambientais. O seu financiamento, é viabilizado com a
derradeira comparticipação comunitária e apesar de "prognósticos só no fim do
jogo", poderá ser uma lição serôdia no aproveitamento eficaz de fundos
estruturais. Uma das ambiguidades iniciais, os ajustes directos à "Expo de
Lisboa" como única gestora, vai dar lugar à realização de um concurso público e
que ganhe o melhor.
O nosso esforço comum deve ser sempre o de reclamar pelo cumprimento de Aveiro, para
além das fórmulas em uso de "Lisboa e Porto". Neste caso, o Governo Central
escolheu umas 18 cidades (!), tendo como critério a existência de projectos já feitos.
Aveiro, felizmente, tinha de herança um espólio de projectos, que se revelou decisivo
para apanhar este comboio (a História repetiu-se, como no caso do Euro-2004).
No Polis/Aveiro, foi inteligente, à semelhança do "Porto 2001", a fusão ainda
a tempo, da requalificação da "antiga Lota", com outros projectos de
intervenção, como a "Europa dos Pequenitos" e a "Zona do Canal
Central".
Aveiro definitivamente volta-se para a Ria, ganha estatuto de "primeira cidade"
portuguesa com padrões do Sec. XXI e com qualidade vida que nos orgulha, mesmo invejada
em termos nacionais.
O Polis/Aveiro merece, ao longo do seu "count-down", o empenho cívico de todos
os aveirenses, uma discussão aberta permanente, a vigilância da sua adequação aos
objectivos e para variar, rigor na sua gestão.
A Leia da Liberdade Religiosa deve abolir privilégios da Igreja?
O Estado e a Igreja são ministérios separados. Mas, é fundamental em
qualquer sociedade, uma Lei reguladora das relações entre o Estado e as diferentes
Confissões. Face a uma nova realidade, a revisão da Lei de Liberdade Religiosa, de modo
a reconhecer as outras religiões não católicas, ao nível por exemplo da liberdade de
expressão, de benefícios fiscais (ou não) e da intervenção na sociedade, é aceitável.
No entanto, tal Lei deve enquadrar-se na realidade histórica nacional, naquilo que tem
sido a missão e o significado da Igreja Católica, constituída por uma maioria de sete
milhões e meio de portugueses, cinco mil paróquias e mais de 20 mil igrejas. Por isso,
se houver sinceridade por parte da congregação de esquerda proponente da nova Lei, será
também aceitável o reconhecimento da especificidade da Igreja Católica, como um
acto de justiça do Estado Democrático e nunca um privilégio (Concordata).
As sociedades dos nossos dias estão em crise. O reabilitar do papel da família e do
conjunto de princípios que devem regular a vida, têm feito, felizmente, renascer de novo
a procura da mensagem católica, na resolução dos nossos problemas.
A influência cristã tem marcado significativamente Portugal, desde a sua fundação e
influenciou o nosso carácter humanista e universalista. Curiosamente, uma Nação
admirável quando não republicana, não socialista e não laica. Sendo hoje republicana e
socialista, para completar o ciclo de decadência, faltará pois somente ser
"laica"...
Defender Portugal Católico, representa uma "Cruzada" que passou por gerações
de portugueses e há-de passar por muitas mais, pois as actuais, que somos nós, saberão
estar à altura desse legado.
Sector da Saúde deve ser privatizado?
O sector da saúde é um, entre outros, em situação degradada na
sociedade portuguesa, tanto mais grave por ser indicador de civilização e da
sobrevivência da nossa população.
O "SNS" é "tendencialmente gratuito" mas também
"tendencialmente" pouco eficaz, com muito desperdício e enorme insatisfação.
Como pagar os seus custos, que por este andar, poderão chegar a um 1/5 da riqueza criada?
Aumentar mais a fiscalidade, quando o esforço directo para a saúde já é o maior da
Europa, não serve. É exigível antes, uma reforma do "SNS", com correcções
estruturais, uso pleno da capacidade, modificação de comportamentos e por uma prudente
liberalização, com o garante do Estado, pelas situações de carência. A partir daí,
deverá ser uma concorrência "saudável" entre o Estado, as Autarquias (porque
não?) e Instituições Privadas, sejam as de natureza empresarial, ainda com muito
crescimento, sejam as de natureza social, com expansão a aconselhar. De facto,
adivinha-se para o futuro, quando se esgotar a capacidade do Estado ou de Particulares na
resposta a nível da Saúde, esta evoluirá no sentido da "comunitarização",
segundo o princípio da mutualidade. Para Portugal, será o bom regresso às origens, na
tradição das Misericórdias.
Financiamento das campanhas deve ser alterado?
O sistema de financiamento partidário é uma questão fundamental no
Estado de Direito. Nos nossos dias de economia global, o poder dos negócios entrou pela
política, e os escândalos e a corrupção têm acontecido, não apenas no terceiro
mundo, mas também nas democracias avançadas. Lembrem-se o "caso ELF" em
França, a "operação mãos-limpas" em Itália, as "crises de
governo" no Japão ou nos EUA, as "prendas" devolvidas pelos Clinton à
saída.
Em Portugal, a nova Lei em vigor, em substância, tentou estabelecer limites às doações
e aos gastos das campanhas eleitorais, proibindo a publicidade comercial. A sua primeira
aplicação, nas recentes presidenciais, demonstrou que carece de alterações, para
melhor cumprir os objectivos. Tem de se garantir a independência da acção política,
mas simultaneamente esta deve ser exercida com qualidade e com meios eficazes.
O reforço do financiamento público, no sentido da exclusividade, em que o Estado
assumiria toda a despesa da Democracia, não cabe no futuro, até porque não terminaria
com as doações ilegais.
Outro caminho, mais de acordo com a nova realidade social e económica, será no sentido
de uma liberalização, mas enfim com regulamentação própria do maior rigor e
transparência. Como por exemplo, a consagração legal do "lóbi" (já consta
assim no novo dicionário de português), conforme na maior parte da Europa, onde até é
dedutível nos impostos. Sem esquecer o registo público dos interesses e dos bens e
rendimentos dos titulares de cargos públicos ou políticos.
A despenalização do aborto deve regressar ao Parlamento?
Uma das conquistas da civilização é a dignidade do valor da vida que
é uma graça de Deus e não se encontra à livre disposição de quem legisla. A defesa
permanente dessa dignidade, implica a recusa por princípio, de medidas "legais"
que a diminuam. O respeito integral pelo direito à vida, inclui a vida do nascituro, que
não deve ser a vítima escolhida para espiar os males da sociedade.
A fase actual da história "socialista", tem conduzido a atitudes de
"frentismo de esquerda", com a apresentação por parte desta, de propostas por
uma sociedade portuguesa indulgente nos seus valores e nas suas referências. Estas
"aventuras fáceis" têm tido uma consciente resposta nacional de negação
enérgica, designadamente através do procedimento democrático por excelência, o
referendo.
No entanto, periodicamente, o "frentismo de esquerda" recidiva para "cima
da mesa" este tipo de questões, tentando desviar as atenções e disfarçar as
incapacidades do actual governo em reformar e modernizar Portugal.
Após a vitória do Direito à Vida no referendo, o compromisso firme de
todos deverá ser antes o de criar condições na sociedade para a prevenção deste
grande sofrimento. Como por exemplo, a prática da Lei do "Mecenato para a Vida"
de apoio a instituições que cuidam das mães solteiras ou desfavorecidas, entre muitas
outras medidas a concretizar, nesta problemática complexa.