| Entrevista Miguel Capão Filipe (publicado em "Diário de Aveiro" de 9 de Agosto de 2001) |
1 - Na altura em que apresentou a sua candidatura chamou a atenção para a necessidade de «Aveiro voltar a ser não socialista». Está convicto que vai vencer as eleições de Dezembro? MCF - Sem complexos e com toda a naturalidade, as causas não socialistas e os princípios humanistas, que acreditam no homem como princípio e fim de toda a acção política, a defesa da economia de mercado como meio certo para o desenvolvimento e o sentido da ligação entre a vivência do Cristianismo e os ideais da igualdade de oportunidades e da justiça social, sempre corresponderam aos sentimentos profundos e tradicionais da maioria dos aveirenses. Por tudo isto, uma parte significativa dos cidadãos aveirenses sempre se reconheceram no património político, nos princípios e nos valores do CDS/PP. Após quase 4 anos de governo e "aculturação" socialista no nosso Concelho, Aveiro já clama pela necessidade de se trabalhar com outra agenda, com outra mentalidade mais próxima do cidadão e pela mudança de Governo. Infelizmente, segundo alguns cenários mais "optimistas", Aveiro viverá em Dezembro uma circunstância do tipo "agora ou nunca", porque a viabilidade de governar Aveiro, se nada for feito, poderá ser insustentável no futuro e por décadas. É sabido que os cagaréus, nascidos e criados na Beira-Mar e ainda por cima no S. Gonçalinho, somos Homens que dizemos sempre "presente" perante grandes desafios. A nossa candidatura é pois um projecto que constitui, sem dúvidas, uma legítima e autêntica alternativa, obviamente vencedora, de Governo, e até não socialista. 2 - As negociações entre o PP e PSD para formar uma AD, em Aveiro, saíram goradas. De que forma é que a não prossecução desse objectivo pode condicionar uma vitória do chamado centro-direita em Aveiro? MCF - Este ano autárquico, pode e deve significar o desencadear de um ciclo nacional de alternativa política, económica e social ao socialismo, demasiadas vezes adiado. Para esse projecto político de mudança, as forças políticas do centro-direita devem convergir, sem perca de tempo, numa "cultura autárquica não socialista". Essa "cultura autárquica não socialista" confere a possibilidade da apresentação de entendimentos, onde for possível. Mas onde tal não for possível far-se-á face ao futuro, com uma correcta repartição de responsabilidades. Lembre-se que mesmo no tempo da Aliança Democrática do Dr. Sá Carneiro, do Prof. Freitas do Amaral, do Eng.º Amaro da Costa e do Arqº Ribeiro Telles, nas eleições autárquicas de então, não havia Alianças em todos os Concelhos, sendo um exemplo disso o próprio Concelho de Aveiro. Esperamos pois contribuir para essa estratégia comum, no caso concreto, com a governação municipal do CDS/PP em Aveiro. 3 - Recentemente, numa entrevista ao Diário de Aveiro, Domingos Cerqueira - candidato do PSD à Câmara de Aveiro - atribuiu responsabilidades pela não formação da AD ao PP. Como interpreta essas declarações MCF - Os antigos presidentes do CDS de Aveiro, que nos habituámos a ver, desde a adolescência, na nossa escola política que foi a sede do CDS/PP na Rua do Conselheiro Luís de Magalhães, merecem-nos o melhor respeito, pelo que apenas temos a desejar as maiores felicidades nesta sua novidade política. 4 - Como tem visto o desempenho de Alberto Souto à frente da Câmara de Aveiro neste mandato? CF - Aveiro vive uma circunstância muito especial. O ciclo anterior de governação do CDS/PP, de que nos orgulhamos, permitiu dar o grande salto qualitativo que Aveiro merecia e justificava, nomeadamente em termos infraestruturais, da concretização de uma parcela de obras relevantes e da definição de uma estratégia para as obras seguintes e para o futuro. Com o actual mandato, entrou-se num "ciclo de acabamentos" sequencial e como se tem constatado, de maior visibilidade. Ora, é do entendimento geral que se o CDS nas Eleições autárquicas anteriores, tivesse sabido aliar renovação e tradição, apresentando um jovem aveirense, com profissão conhecida, pronto a servir a causa pública e com uma postura de futuro, muito provavelmente o resultado eleitoral teria sido outro. Por isso, o nosso desempenho, em termos das obras agora feitas, seria semelhante, até porque inauguraríamos obras originalmente de mandatos do CDS/PP. Mas, por certo, faríamos alguma coisa de modo diferente. Por exemplo em relação às obras recém inauguradas, aplicaríamos muito maior rigor nas soluções técnicas encontradas, na adequação dessas obras ao futuro e também maior exactidão e pontualidade nas questões orçamentais. Faríamos também uma gestão transparente e rigorosa, sem métodos de endividamento geradores de comportamentos lesivos da imagem da Câmara. O tipo de administração seria moderno e eficaz, não sobrevindo um modelo sem controlo dos dinheiros públicos e que tem crescido à "medida socialista", em que gente a mais faz a mesma coisa e ninguém faz coisa alguma. Sendo a governação de um município complexa, ela deve assentar na competência, seriedade e também na simpatia. O promover de um espírito de união e de harmonia entre políticos e quadros é condição essencial de vivência no trabalho de equipa em prol de Aveiro. Bem como, o cidadão aveirense sentir sempre a porta da sua câmara aberta, como estando em sua casa que de facto é. O nosso Plano de Actividades definiria prioridades a concretizar e não seria um mero plano político de intenções. Permitam-nos, por outro lado, desmistificar o propagado acesso privilegiado de Aveiro a verbas do Governo Central e a fundos estruturais da União Europeia. Tal, tem acontecido menos pela "cor política ser a mesma" e mais por Aveiro possuir projectos que vêm de mandatos anteriores, merecedores da confiança pelo sistema objectivo de avaliação das diferentes candidaturas por esse país fora. São exemplo disso, a obra do século que constituirá o Parque Desportivo de Aveiro para o "Euro 2004", ou a requalificação da Lota para o "Polis", o que confirma o valor dos planos estratégicos da herança do CDS/PP. A propósito, é de lastimar o pouco evoluir, ao fim destes 4 anos, do projecto "Europa dos Pequenitos". 5 - E quais são as traves-mestras da campanha do PP para o próximo mandato?MCF - A nossa postura será construtiva e o nosso projecto o de desempenhar e cuidar do progresso de Aveiro que tanto amamos, como exemplo no panorama nacional, nomeadamente: Defender um modelo de desenvolvimento de Aveiro assente na qualidade e na definição de actividades económicas estratégicas, ligadas à rede educativa e científica de excelência e ao papel da Universidade de Aveiro, definindo uma espécie de "Vouga Valley" da Inovação. Concretizar o referido ciclo de obras de contexto nacional, com acessibilidades modernas e equipamentos que a afirmem em definitivo como capital de coesão regional, designadamente na área de comércio e serviços, lúdica, desportiva e turística. Reforço da imagem de Aveiro como capital de Distrito, através a título exemplificativo, do renovar da imagem institucional, da concretização de monumentos ex-libris distintivos ou de incitar a sediação de delegações regionais das TV`s nacionais ou mesmo uma TV Regional, independente e de integridade aveirense. Defender a melhoria da qualidade de vida, alicerçado num desenvolvimento sustentado e centrado no Homem e na Família, através de projectos realistas e eficazes, incluindo: "Planos de Pormenor" irrepreensíveis no cumprimento de objectivos como a contenção da construção e a aposta na valorização dos espaços públicos e da qualidade de vida; "Planos Municipais" de segurança, de ambiente, de mobilidade das pessoas, de habitação, de saúde (a exigência de um Hospital Central), de apoio à idade sénior, de combate à droga, de apoio ao jovem, de dinâmica cultural e desportiva, seja o recreativo e de formação, (por exemplo a simples conclusão da Pista de Atletismo de Aveiro), seja o de alta competição por modalidades, como são o caso do SC Beira-Mar, Aveiro-Basket, São Bernardo e Galitos. Uma palavra especial pela inserção digna e bem-vinda dos nossos emigrantes, que têm regressado nos últimos anos à sua Pátria e a Aveiro. Requalificar em definitivo Aveiro pela sua singularidade, num espaço em diálogo aberto com a ria. Aumentar decisivamente o estatuto das Freguesias, como primeira organização do povo que somos e da nossa vida em comum, desde o início da nacionalidade. Construir um concelho em tecido urbano contínuo de qualidade entre todas as freguesias, (Vera- Cruz, São Jacinto, Glória, Aradas, S. Bernardo, Cacia, Santa Joana, Esgueira, Eixo, Eirol, Oliveirinha, Requeixo, Nariz e N.Sra de Fátima) acabando definitivamente as assimetrias cidade - freguesias periféricas. Repudiar até aos limites das nossas forças, o modelo territorial da administração do Estado, reafirmando a postura de insubmissão de Aveiro à divisão do seu Distrito e a investidas de outros centralismos, como a CCR Centro e Coimbra, onde não se revê em qualquer tipo de relação socio-económica e afectiva. Aprofundar a hipótese da Área Metropolitana de Aveiro, como uma alternativa válida de descentralização, capaz de conferir notoriedade e vantagem competitiva à região aveirense. Em resumo, com a determinação de Aveiro Sempre em Primeiro, sabemos que queremos uma Grande Aveiro vencedora da competição das cidades médias em Portugal. 6 - O facto de Girão Pereira não ter comparecido na sua cerimónia de apresentação pode ser interpretado com um afastamento do ex-presidente da Câmara da sua candidatura? MCF - De modo algum. O Dr. Girão Pereira é um "senador aveirense e nacional", de reconhecido mérito e competência, um histórico com relevantes serviços prestados a Aveiro e Portugal. Qualquer novo ciclo na vida do CDS/PP honrará sempre os seus valores, terá orgulho no seu passado e na memória pelo que já se fez por Aveiro. E ao seguirmos com o futuro, julgamos que o Dr. Girão Pereira, ainda terá muito para oferecer às causas chamadas Aveiro e Portugal. Aliás as referências ao rigor, qualidade e prestígio da sua governação são neste momento em Aveiro, e em cada dia que passa, cada vez mais recordadas, o que muito nos apraz registar. 7 - Quanto à restante lista, já tem nomes? MCF - O nosso projecto alternativo de governação para Aveiro e as sucessivas etapas definidas no programa de campanha, situa o momento actual na fase esperada. Para além do normal amadurecimento em equipa, em tempo útil será dada a resposta à questão levantada. Curiosamente, os outros partidos concorrentes às eleições de Dezembro também ainda não tornaram públicos os restantes nomes, sendo que um deles, o partido socialista, tendo iniciado nestes dias a sua campanha autárquica, com "teasers" ou sem "teasers", ainda nem o seu candidato à Câmara apresentou. 8 - E para a Assembleia Municipal qual o nome que o PP vai indicar? MCF - Remetemos para a resposta anterior. 9 - Num outro plano. É presidente da Distrital do PP de Aveiro. Quais os objectivos para o distrito, em termos autárquicos? MCF - As próximas eleições autárquicas de Dezembro significa para nós um desafio para o futuro, pela relevância e exemplo para Portugal, que constitui o nosso Distrito, através dos Concelhos onde existe governação ou presença relevante autárquica democrata-cristã. Já referimos anteriormente a singularidade política aveirense, que se aplica a todo o nosso Distrito, em que o CDS/PP tem força e ambição ao nível igual a qualquer outro espaço político, e que tem alicerçado padrões socio-económicos dos melhores da Europa. Nos próximos meses, os objectivos serão de trabalho, trabalho e mais trabalho de modo a constituir-se uma dinâmica de vitória responsável do CDS/PP e desse modo contribuir decisivamente para desencadear em Portugal um ciclo alternativo, com o contributo determinado e determinante, dos valores e dos programas de governação municipal e da presença forte autárquica do CDS/PP, no bem-fazer pelo destino dos munícipes. 10 - E do ponto de vista nacional, como tem visto os últimos meses do Governo de António Guterres? MCF - Um exame sumário dessa governação poderá fazer entender se este quadro político deverá ser levado até ao fim, em nome da estabilidade, ou se o seu prolongamento é uma resignação nacional. Com o actual Governo, ocorreram mais tentativas de "revoluções" (chumbadas pelos referendos) e menos de "reformas" estruturais. E mesmo destas, a reforma Fiscal da esquerda não retribui o esforço da classe média, não simplifica os impostos, não ajuda à competitividade e tem levado à fuga de capitais para o estrangeiro. A reforma da Segurança Social é pouco moderna e não adaptada ao futuro. A Política de Administração Interna não garante a segurança e a da Justiça tem conhecido "prescrições" e quebra da confiança. Ao nível da Economia e Finanças a situação em Portugal é gravíssima. O Governo Socialista já expropria para a sua despesa, em benefício dos serviços do Estado e das empresas públicas (ou derivados), de 51 contos em cada 100 contos de riqueza criada, sem contar com o endividamento externo (35% do PIB). As famílias têm também um grande endividamento. Os sectores produtivos - Indústria, a Agricultura e as Pescas atravessam as maiores dificuldades. Por tudo isto, o nosso país atrasa-se calamitosamente e cada vez mais em relação à Europa. 11 - Qual é a solução? MCF - Em 1979, a Aliança Democrática mobilizou Portugal na vitória sobre o colectivismo económico. Então, o Dr. Sá Carneiro, o Prof. Freitas do Amaral, o Eng.º Amaro da Costa e o Arqº Ribeiro Telles, numa mensagem aos portugueses, advertiam que Portugal não devia continuar por mais tempo sem um autêntico governo e que os políticos não podiam fazer tudo sozinhos, antes deviam unir-se e entender-se, iniciar caminhos e propor soluções. A evidência da história política dos últimos 25 anos, faz com que a democracia-cristã portuguesa, reitere ser do interesse nacional que as forças do centro e direita trabalhem em comum, numa prática de convergência. De facto, é do interesse nacional uma outra maioria de Governo em Portugal, não socialista e sem as políticas de esquerda. Com o contributo específico do CDS/PP como âncora doutrinária, integrando um projecto vencedor de alternância e alternativo (no campo político, social e económico). A bem da viabilidade de uma Nação. |