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Dia Aveirense Sem Carros
Aveiro, 22
de Setembro de 2001.
A medida da
riqueza e da competitividade, integra uma nova contabilidade mundial,
multidimensional, integrando outros aspectos aos económicos, como a
qualidade de vida e meio ambiente. Esta "nova contabilidade" tem em Aveiro
oportunidade de vir a ser exemplar, com o cumprimento do "desenvolvimento
sustentável".
Se os
cidadãos aveirenses estão hoje a olhar uma cidade diferente, esta nova
realidade também tem de ser vista nos restantes 364 dias. A campanha “Dia
Europeu Sem Carros” não pode passar apenas como episódio mediático e do
imaginário, e tudo ficar praticamente igual de um ano para o ano seguinte.
Os modelos testados de ambiente e mobilidade urbana têm de ser
“sustentáveis” para além das 24 horas.
Veja-se o
exemplo das bicicletas. Uma política real de bicicletas não deveria
começar pelo telhado e resumir-se às BUGAS, provavelmente a última etapa.
Antes, havia que promover-se a utilização crescente da bicicleta como
veículo utilitário e opção de mobilidade urbana, para além da sua função
de lazer ou de turismo, nomeadamente, entre outras medidas:
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Criar
“Escolas de Ciclismo” junto das Escolas Básicas e Secundárias, dando a
formação adequada aos mais novos.
-
Sensibilizar
a população em geral para o uso da bicicleta (mas a de cada um).
-
Criar pistas
de segurança para o ciclista “coerentes” e em maior número.
-
Criar
infra-estruturas de facilitação do uso da bicicleta, como estacionamentos,
sinalização adequada ou por exemplo sensibilização dos projectos de obras
particulares a prever arrumos para bicicletas ao nível do R/C.
Por isso,
atitudes que não de fachada, devem determinar no futuro, a concretização
efectiva de Planos Municipais de Ambiente e de Mobilidade Urbana, de
Acessibilidades e Transportes Públicos. Nestes, deverão incluir-se meios
de transporte não poluentes, a extensão dos percursos pedonais (sem
buracos provocadores de acidentes pessoais e sem carros!) e de bicicletas,
os corredores verdes, os estacionamentos realmente periféricos com
transportes públicos de qualidade, como mini-autocarros, táxis de Ria ou
até o inadiável futuro Metro de Superfície. Sem “esquecer” de projectar
todo este sistema de mobilidade com uma visão global e integrada de toda a
Região da “Grande Aveiro”, em parcerias com os municípios vizinhos e não
apenas na perspectiva de um só Concelho.
Miguel Capão Filipe
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