Capitania do Porto de Aveiro Como Deve Ser

 

 

Edifício da Capitania

 

 

A Capitania, edifício que todos bem conhecemos na nossa memória e nem mais um prego viu contribuir para a sua obra de restauro desde 1997, é um exemplar soberbo da presença da Arte Nova na nossa cidade.
Em Aveiro, várias obras do mestre e arquitecto Silva Rocha deixaram a marca da época de Arte Nova, entre as quais, a Capitania do Porto de Aveiro, construída em 1913 sobre as arcadas de um moinho de marés, terá sido a mais emblemática, pela sua localização privilegiada, pela sua qualidade arquitectónica, pelo nobre fim a que fora destinado o edifício.
A Capitania do Porto de Aveiro, os seus serviços centrais, a presença do Capitão e do Patrão Mor do Porto, foram símbolos do poder e da importância marítima que a nossa cidade sempre soube albergar, com respeito e orgulho pelas instituições que representavam.
Em 1995, oito décadas depois da sua construção, depois de várias reconstruções devidas à constante cedência das fundações do edifício, os serviços foram retirados para obras profundas de restauro e consolidação das fundações, numa obra adjudicada pelo Ministério da Defesa a quem o edifício pertencia, para de novo poder albergar as autoridades marítimas da nossa cidade.

Por iniciativa do actual Presidente da Câmara, iniciou-se um processo de compra do edifício por parte da nossa Autarquia, ao Ministério da Defesa. Não se sabia bem para que seria o edifício, mas importava compra-lo para rapidamente proceder à sua reconstrução.
Hoje afinal, continuamos a assistir ao esplendor da maior barraca metálica do distrito em pleno coração da cidade de Aveiro. Porventura, se tivesse ficado na mão do Ministério da Defesa, a reconstrução já poderia ter terminado.
O negócio foi mau para ambas as partes. Para além do edifico em questão, envolveu o armazém de embarcações no Canal do Paraíso, um edifício novo para a Policia Marítima, um novo aquartelamento, novas oficinas na área portuária e duas novas residências para o Capitão do Porto e para o seu Patrão Mor.
Resta ainda saber quanto se vai investir na recuperação do actual edifício da Capitania. A Câmara pagou uma soma avultada, e ainda vai gastar muito dinheiro na consolidação e reconstrução do edifício novo, podemos estimar que um esforço total superior a meio milhão de contos, será um cálculo a pecar por defeito. O Ministério da Defesa e a Capitania do Porto de Aveiro perdeu uma localização emblemática da sua presença nesta Região de Aveiro.
Por iniciativa do actual presidente, foi lançado um concurso de arquitectura para a recuperação do edifício. Inicialmente não se sabia bem para que fim, uma sala de visitas, um espaço polivalente, de repente foi direccionado todo o programa para a instalação da Assembleia Municipal.
A Assembleia Municipal de Aveiro merece um espaço de grande dignidade, um hemiciclo, com todas as possibilidades de instalação dos seus serviços, com gabinetes, salas de reuniões, espaço de convívio, arquivos, salas de consulta, reprografia, espaço media, bons acessos e espaços de circulação, facilidade de estacionamento, etc. . Com a solução de destinar o primeiro piso do edifício da Capitania a esta instituição, uns escassos 200 metros quadrados, a expressão "meter o Rossio na Rua da Betesga" fica aplicada com muita oportunidade.

A Assembleia Municipal de Aveiro , carece de um espaço construído de raiz, o verdadeiro Hemiciclo de Aveiro, abrindo uma nova centralidade na cidade, com espaços para a sua instalação, com gabinetes para os deputados, com dimensão, com todos os serviços de apoio bem instalados e com todas as funcionalidades, podendo até ser um edifício estratégico para Aveiro, na sua afirmação no contexto nacional e internacional através da captação de reuniões de outras Assembleias de instituições públicas e privadas.
Com os mesmos recursos por parte da Autarquia, Aveiro teria ficado melhor servida, provavelmente já teria o edifício emblemática da Capitania reconstruído pelo Ministério da Defesa, manteria a sua sede de poder marítimo e as suas instituições na cidade, poderia com meio milhão de contos, construir um edifício de raiz soberbo, até faustoso, para instalar a Assembleia Municipal, em local nobre, desafogado, com acessibilidades e estacionamentos, com jardins cheios de estátuas e fontes.
Reafirmamos que na nossa opinião este edifício da capitania deveria ter sido reconstruído pelo Ministério da Defesa, dando-lhe novamente a sua dignidade e imagem "ex-libris" de Aveiro, para eventualmente aí ser reinstalada a capitania do Porto de Aveiro, como no nosso entender lhes competia, ao Ministério da Defesa e ao Governo Central e sem constituir nenhum encargo para a Autarquia Aveirense.


Luís Miguel Capão Filipe

 

 

 

Variante E N 109 Como Deve Ser

 

 
  Em cada momento da história, uma cidade marca a sua existência, reconhecendo-se-lhe um papel importante numa determinada actividade, ou num acontecimento, ou porque dispõe de um recurso natural ou porque tem uma obra invejável. Quem nunca ouviu falar do vinho de Bordéus, ou dos casinos em Las Vegas, ou da torre Eiffel em Paris, ou dos relógios de Genebra, ou... da Avenida Dr. Lourenço Peixinho.

Por isso, quando se realiza determinada obra estruturante deve-se ter em conta a afirmação da identidade de uma região e de uma cidade e que ela possa ser motivo de atracção de investimento, de pessoas, de acontecimentos, por isso um factor estratégico de competitividade que importa valorizar.

No nosso mandato autárquico a reclassificação da EN 109 e qualificá-la na maior Avenida de Aveiro, com o nome de "Avenida de Portugal" será uma das imagem de marca para Aveiro que pretenderemos concretizar.

Faremos por isso a reestruturação, com carácter prioritário desta futura Grande Avenida sobre o traçado da EN 109, com largura apropriada e redimensionamento dos viadutos (obras recentes mas sem rigor nas soluções técnicas encontradas e da sua adequação ao futuro). Para ela faremos convergir novos equipamentos da cidade, tais como edifícios sede de poder (por exemplo: Palácio da Justiça, o novo Edifício dos Paços do Concelho, um edifício digno para a Loja do cidadão, ou um Hemiciclo de Aveiro), com dimensão e valências para servir a comunidade Aveirense, com dignidade e com perspectivas de futuro.

Queremos fazer uma verdadeira Avenida urbana com quatro faixas centrais, com passeios separadores arborizados, com pistas cicláveis, faixas de circulação lenta de acesso aos estacionamentos e aos edifícios, com largos passeios a ladear uma frente urbana qualificada integrando o comercio, os serviços e a habitação de forma a proporcionar uma qualidade de vida intrínseca para os Aveirenses.

Desta maneira desconcentraremos as funções do centro antigo da cidade, dando-lhes maior espacialidade territorial e desenvolveremos a zona a nascente da cidade, para lá da actual Variante, concretizando a "cidade nascente", construindo um processo de desenvolvimento sustentado, participado e qualificante para a vida dos cidadãos Aveirenses.


Luís Miguel Capão Filipe

 

 

 

 

O Centro da Cidade Como Deve ser

 

 

O Centro de Aveiro está a mudar.
Para estas mudanças ocorrerem foi fundamental:

  • Relocalizar a zona industrial antiga de fundições, cerâmicas, carpintarias originando o "Novo Centro do Cojo".
  • Construir as passagens desniveladas sob a linha do norte que abriram o espartilho de ferro que cintava a cidade de Aveiro.
  • Abrir a nova Avenida Central da Universidade até à Forca.
  • Lançar e aprovar a construção do Forum Aveiro, um dos espaços comerciais mais qualificados de Portugal e na Europa.
  • Garantir o financiamento da obra de reconstrução e requalificação dos muros dos canais da Ria.
    (in: memorando da Governação do CDS/PP)

Entretanto deu-se nestes 4 anos o acrescento de um "lago" e de uma escadaria, mas como pontificam no meio de um grande estaleiro de obras para durar, não podem ser devidamente usufruídas. De facto, conclui-se que só depois de construído o espaço envolvente, seria prioridade gastar o dinheiro público aveirense com estes acabamentos.

Ora o Centro tem de continuar o seu processo de qualificação sustentado mas de forma integrada e inteligente, abrindo a cidade de Aveiro a Nascente, nomeadamente:

  • Através de um espaço qualificado, o corredor verde do Rossio até à Forca, ao longo do canal, com zonas pedonais e a preservação de corredores para o futuro metro de superfície.
  • O Mercado Manuel Firmino, necessita de uma intervenção urgente, mas também célere, que mantenha e respeite as funções do mercado tradicional das frutas e legumes, da carne e das flores. Que respeite os comerciantes que toda a sua vida tiveram ao serviço do povo de Aveiro, oferecendo o que de mais fresco a região oferece e que a esta hora, ou ainda não deveriam ter saído das suas bancas ou então já deveriam estar a usufruir as instalações renovadas. No cenário da obra que vai nascer, não faz sentido que esta não considere as necessárias infra-estruturas de acesso, descargas e estacionamentos.
  • Um Plano de Pormenor que cumpra rigorosamente objectivos como a contenção da construção (fala-se em mais de 7500 habitantes?), a aposta na valorização dos espaços públicos (condições para se fazer a maior Praça de Aveiro) e da qualidade de vida e que coloque em "diálogo aberto" a cidade com a Ria.
  • Sobre as negociações de compra para instalar os Serviços Municipais no edifício da antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos, acordo aprovado apenas pela minoria socialista da Câmara, temos que deixar algumas razões que fundamentam a nossa oposição a essa opção, que consideramos lesiva do interesse dos Aveirenses.
  1. Sublinhamos, a maior importância e urgência para encontrar uma solução digna e célere para a reinstalação dos Serviços Municipais que actualmente carecem gravemente de condições de trabalho apropriadas e de atendimento aos munícipes.,
  2. Não houve até agora, um estudo que sustente a adequação e a possibilidade de adaptação do espaço existente na Fábrica Campos às futuras funções para que a Câmara quer o edifício.
  3. Colocam-se outras questões fundamentais como quanto custará essa adaptação, quanto tempo vai levar, qual o impacto na envolvente, o seu enquadramento na zona urbana, as acessibilidades e o estacionamento, etc.
  4. Este edifício tem uma história recente e antiga que merecem muito respeito. As suas funções nobres, culturais e de formação, têm fundamento histórico na missão que a Fábrica Campos cumpriu na sociedade Aveirense e no país. Faz todo o sentido que uma fábrica nobre, que foi uma grande escola das técnicas e artes da indústria do barro vermelho continue a ser o Centro de Formação Profissional, e serviços de apoio ao emprego e ás industrias. Tendo sido feito de raiz para esse fim, deixemos estar lá as instituições que estão.
  5. A nossa proposta para os Serviços da Câmara Municipal de Aveiro é no sentido de ser estudada com urgência uma nova localização, promovendo uma área nova da cidade, num edifício construído de raiz para as funções que vai cumprir, sem remendos, provavelmente com muito menos custos. O negócio adivinha-se mau, a Câmara gastará algo que podemos estimar em quatro milhões de contos. Com esse montante construiremos um edifício na "Aveiro - Cidade Nascente", estruturando uma das novas avenidas da Variante 109 (futura Avenida de Portugal) ou o Eixo Estruturante.


Luís Miguel Capão Filipe